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Bhakti Yoga Imprimir E-mail

bhakti blossomO Bhakti Yoga surge quando ocorre a mobilização da energia afetiva em direção a uma dimensão transcendente. O Absoluto é sentido como o Ser Supremo e surge uma relação amorosa com o Divino, independente de como ele seja concebido. Seja na forma de um Mestre Iluminado, uma imagem que personifica o Divino, uma Idéia, um símbolo ou simplesmente o Indeterminado sem forma.

O que caracteriza o Bhakti Yoga é o anseio por “participar” do Ser Divino. Fazer parte Dele. E finalmente Ser Ele, quando então dissolve-se a dualidade entre o amante ao Amado. O adorador e o Adorado: “Eu e o Pai somos Um”!

Por se tratar de Amor, devoção, o Bhakti Yoga não depende para ser realmente vivenciado, de uma decisão intelectual ou da vontade. É de certa forma a graça Divina que acende no coração do devoto a chama do Amor.

A entrega amorosa ao Divino exige total confiança e abandono do eu. Nenhum interesse à motiva. Nem mesmo a Iluminação. Quando se pretende algo em troca não é devoção. É comércio.

O verdadeiro bhakta (praticante de Bhakti Yoga) age sempre para fazer aquilo que o Divino faria para si mesmo. Isto é servir ao Divino. Agir como uma parte integrante Dele, para Ele.

A devoção dissipa o ego e desvela o Divino como o Único Eu. Então a Unidade aparece. A mesma realização do Jnana ocorre através do Bhakti Yoga por processos diferentes.

Quando o Coração se abre completamente, a mente se aquieta. Quando a mente se aquieta, o Coração se abre. A Sabedoria e o Amor são aspectos de uma mesma Consciência.

A prática do Bhakti Yoga, no dizer de Swami Sivananda, pode ser Apara Bhakti ou Para Bhakti. No Apara Bhakti a devoção se expressa em rituais de adoração onde além de outros procedimentos, se oferece flores, aromas, alimentos à uma personificação do Divino. Há dualidade entre o adorador e o adorado. E tudo o que se possa fazer para expressar a devoção aumenta a chama do Amor e a proximidade com o Amado.

No Srimad-Bhagavatan e no Vishnu Purana são ordenadas estas nove Práticas de Bhakti, que são:

  • Sravana - escutar histórias envolvendo a forma que para você representa o Divino.
  • Kirtana -cantar Suas glórias com bhajans que são a própria Presença Divina em forma de som, e que por isso mesmo atua limpando a mente e o coração do praticante, tornando-o mais consciente da Presença Divina nele mesmo, e aumentando o fogo da devoção.
  • Smarana - lembrança da presença Divina como o Eu em todos e em si mesmo. Entoar os Nomes de Deus fazendo japa com ou sem mala (colar utilizado para contar as repetições do mantra)é uma prática central no Bhakti Yoga, pois o Nome de Deus é o Divino em forma de som (Shabda Brahmam). Esse acesso ao Absoluto através da vibração do mantra dissipa progressivamente o ego e cria espaço para o Divino aparecer como a Identidade última do ente humano.
  • Padasevana - servi-lo a Seus pés. Agir por amor ao Divino.
  • Archana - adorar a Deus. Oferecer concreta ou mentalmente tudo ao Divino.
  • Vandana - prostrar-se para o Senhor. Situar-se em total receptividade, esvaziando-se da auto importância do ego. Acolhendo o Divino.
  • Dasya – Manter-se no Bhava ( atitude interna)de quem age para Deus.
  • Sakhya - cultivar o Bhava de amigo.
  • Atmanivedana - completa rendição ao Ser. Entrega amorosa onde desaparece o ego e a Consciência Divina passa a vigorar como o Eu.

Um devoto pode praticar qualquer um destes métodos de Bhakti. Aquele que ele sente fluir com mais sentido e naturalidade.

No Para Bhakti a dimensão Divina é percebida em tudo e em todas as coisas, e não apenas naquela forma que era objeto de devoção. O Divino está em tudo e além de tudo. Nada, nem ninguém,consegue ocultar o Divino dos olhos e coração do verdadeiro bhakta. Nem uma formiga, um inseto, um amigo ou um inimigo. Todos são Ele. E Ele é o Eu no próprio devoto. Então desaparece a dualidade e o Amor Divino, Prem, é o Estado de União. O Yoga do Amor que transcende a própria devoção.

Pode parecer que o Bhakti Yoga se confunde com religião. No entanto não é assim. Na religião, e a própria palavra diz isso, há um sentido de dualidade. Existem dois que precisam se religar. No Yoga, não existem dois. É a dissolução do eu temporal, o ego, que cria as condições para o Ser atemporal vigorar como a Identidade Real do humano. A dualidade é uma ilusão que se dissipa na realização do Yoga.


Akalmuret Singh 01aPublicado com carinho por Akalmuret Singh, professor de Kundalini Yoga, pesquisando práticas orientais e ocidentais de auto conhecimento há 30 anos. Professor de Filosofia formado na UFPR, mestrando em Filosofia na PUC PR, Professor de Hatha e Raja Yoga, formado em Sarva Yoga. Reiki Máster e Terapeuta corporal em Bio­energética, Massagem e Yogaterapia. Atualmente ministra cursos de formação em Kundalini Yoga em diversas cidades do Brasil.

 

Provérbios

"O fato é que ninguém pode controlar ninguém. Tudo o que você pode fazer é fluir com os outros como os rios e riachos fluem uns com os outros e acabam no mesmo oceano. Todas as coisas vêm de Deus e todas elas vão para Deus."

Yogi Bhajan

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